31 de dezembro de 2010

Humpty Dumpty


Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall.
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put Humpty together again.
(Mother Goose's Melody, 1803)


All of the king's horses
And all of the king's men
Couldn't pull my heart
Back together again
(Travis - The Humpty Dumpty Lovesong)


Caixa de Pandora/ Panaceia

Depois de tanto tempo no ostracismo, venho aqui anunciar a chegada de um novo ano!
E o motivo para a demora em publicar novamente é...Boa pergunta. Falta de tempo, assunto, motivação...
Engraçado...às vezes, na correria, ficamos imersos nas nossas obrigações, deveres e atividades e esquecemos de acompanhar e se dedicar à algumas coisas que outrora consideramos essenciais. Veja o noticiário, por exemplo... Quando deixamos de acompanhar um jornal, não percebemos imediatamente o que estamos deixando para trás...O tempo fica dedicado a coisas supostamente mais importantes. Quando voltamos a acompanhar, não entendemos como podemos passar tanto tempo 'alienados'. E qual o problema disso? Se nos informamos, lemos, vivemos, ficamos revoltados, pesquisamos, debatemos sobre notícias.....Nos dias seguintes elas já são mandadas pra debaixo do tapete...e poucos canais de mídia retomam posteriormente essas discussões às quais em um momento anterior foi dado tanto enfoque. Pois bem... e qual a diferença de se manter informado, qual a vantagem disso, em comparação com uma velha senhora, que não está nem aí para o que ocorre fora do seu território, colhe dia após dia suas maçãs amadurecidas no quintal e deita a cabeça no travesseiro satisfeita toda noite?
Taí.... Quando obtemos a informação nos sentimos parte, achamos que temos o controle, que realmente sabemos de tudo que ocorre, como ocorre e por quê ocorre....e tudo isso misturando notícia e formação de opinião própria. E qual o valor de tudo isso ? Conhecer, formar opinião, experiência, poder agir a partir do que se vê, conscientizar-se, disseminar? ...Não reparem o tanto de perguntas que faço aqui...não só nesse post, mas em todos...Elas estão aí, não para serem respondidas por mim (Quem me dera...!!). Porque eu não tenho respostas...tenho pontos de vista, opiniões passíveis de mudança ou só indagações mesmo.
Para pensarmos, para pensarmos...

Agora voltando... Ano Novo, 2011....Vambora!
É bom ter o encerramento de um ciclo. Poder começar de novo, ter inspiração e vontade para desenvolver novos planos, novas ideias, novos projetos...E aqui ainda nessa parte do hemisfério temos a sorte de iniciar o novo período em um verão ensolarado, estação ideal ao bom humor e motivação!
Baboseira achar que em virtude da mudança no calendário as coisas serão diferentes? Talvez...Mas e daí? Por que não achar mesmo? Acreditar, sonhar com isso, traçar novos objetivos....Mesmo que eles não sejam cumpridos, que é o que muitas vezes acontece...o fato de eles existirem, só por existir, já é ótimo. Uma motivação para se levantar todo dia da cama, não sentir o vazio. E valorizo, assim como o Ano Novo, tudo que promove a esperança...Desculpem-me o clichê, mas eu acredito mesmo. Ter esperança é fundamental...Exemplifico com os acontecimentos recentes no Rio, no combate unificado ao domínio nas favelas...Pode ser que tenha sido tudo espetáculo midiático? Pode. Pode ser que não adiante nada, que tudo volte como antes ? Sim. Mas que foi bonito e emocionante ver as bandeiras do Brasil e do Rio sendo hasteadas silenciosamente no Morro do Alemão, foi !...E os moradores com raros olhos esperançosos...E isso é indispensável à existência!

Bom, queridos...fico por aqui! Que ano que vem haja ainda muito espaço à criatividade, discussão e liberdade!
Pretendo escrever mais, trazer mais assuntos à tona e tentar escrever mais sobre política. Meta!

Um brinde a vocês, à família, aos amigos! Um brinde a 2010, ótimo ano, e um brinde a 2011!

E até ano que vem! ; )

Obs.: Posso deixar uma indicação para o começo do ano? O Segredo dos Seus Olhos. Filmaço.

11 de outubro de 2010

Some aWesome mUsic


SWU! Festival que nos últimos tempos ganhou rapidamente uma fama absurda! Lembro dos primeiros rumores! Ninguém sabia de nada direito. ‘Ah, vai ser um Woodstock brasileiro’... ‘Kings of Leon? De forma alguma’. ‘Regina Spektor? Nunca. ‘. ‘Combinar sustentabilidade com rock’n roll ? Acho que nem...’

Mas não é que deu certo? Taí! O Festival ocorreu, foi um evento gigantesco, de repercussão surpreendente e...vim aqui contar um pouco de como foi a minha experiência no dia 10/10/10:

Cheguei por volta das 17h. A entrada foi até que bem tranqüila. Já no estacionamento começavam as iniciativas sustentáveis ou lucrativas (pick one!): 3 pessoas no carro = R$ 100,00. Com 4 pessoas já baixava pra R$ 50,00! A tal Fazenda Maeda era um local bem bacana, rodeado de eucaliptos, com um ar meio exótico, europeu.

Depois de estacionar, tínhamos até a entrada principal uma caminhada de Compostela através de uma estradinha de terra no meio do absoluto nada. Interessantíssimo! E um frio, mas um frio. Calma! Ainda tinha um solzinho, era fim de tarde. Depois piora.

Na entrada checaram as bolsas e corpos . E, enfim, aí está o SWU. Um campo gi-gan-tes-co. Depois das catracas dávamos de cara com uma torre feita de latinhas e garrafas da Heineken e uma roda gigante movida a pedaladas. Havia também por perto um labirinto de lixo reciclável e uma escultura em forma de árvore bem engraçadinha.

Mais pra frente avistávamos o Palco Oi Novo Som e um traillerzinho da Oi que ficava transmitindo informações pela rádio dali. Impressionante como essa Oi FM cresceu e agora é idolatrada no âmbito cult, alternativo. Merecido, merecido.

Ah...falando em cult e alternativo: ou a galera entrou no clima do evento ou a galera pagou de alternativo ou o evento conseguiu reunir aqueles que exalam um estilo semelhante. Haja camisa listrada, quadriculada e colorida, viu! Era uniforme, traje obrigatório! Consegui ver 45689083 estampas diferentes. Mas, pra quem gosta, era não mais que perfeito. Sentir que todo aquele povo ali a sua volta curte o mesmo que você...sei lá! É muito bom...

Voltando. Continuando a caminhada pela imensidão via-se do lado do Palco Oi Novo Som a tenda Heineken onde tocava eletrônico. E continuando, agora em um círculo, havia os dois palcos maiores : Ar e Água onde se apresentavam as principais bandas.

Quando cheguei estava já no finalzinho do show do Capital Inicial. E eles até que mandaram bem no repertório, valorizaram um pouco as músicas mais antigas, do Aborto Elétrico, como Veraneio Vascaína e Fátima. Inteligentes! E Dinho Ouro Preto interagiu ainda em ‘Que País Ainda’ fazendo um protesto contra candidatos que ainda discutiam temas medievais nessas eleições (!).

Enfim...depois veio o Sublime With Rome. Confesso que não conhecia muito da banda não, mas tava até que gostoso escutar as batidas empolgantes e dançar ‘flutuando’. ‘Santeria’ foi, inevitavelmente, o ápice do show.

E o melhor ainda estava por vir. Eu, particularmente, estava muito mais sedenta pela Regina do que pelo Kings. E então chegou a vez dela: a russa erradicada nos EUA e nada menos que belíssima e fofíssima Regina Spektor. Nossa! Ela parecia tão pequena no meio daquela estrutura gigantesca. E olha que eu nem estava tão longe do palco, não. Mas aquilo tudo ali não combinava com a sua delicadeza e suavidade. E foi assim durante todo o show, como se ela fosse uma estranha ali no ninho. Ainda deixou-se a desejar em questão da altura do som: baixo demais.

Ela, em si, foi impecável. Uma graça, mesmo! Tentou interagir com alguns ‘obrigada’ e muitos sorrisos nos finais das canções. ‘Après Moi’, ‘Eet’, ‘On the Radio’, ‘That Time’ e ‘Fidelity’ foram as que mais empolgaram a plateia, que claramente não conhecia muito bem o repertório da cantora. Muitos só esperavam por aquela do ‘And it breaks my hea- ah –ah – ah –ah –art’. Eu, particularmente, gostei muito de ouvir ‘Dance Anthem...’ e principalmente ‘Us’. Só lamentei a ausência de ‘One More Time With Feeling’. Mas enfim...Regina fez bonito, fez sua parte! E só ela já valia o ingresso para mim, apesar de ainda achar que era o show certo para o local errado, de fato.

Saímos então correndo em direção ao outro palco para já garantir um lugarzinho para o show do Kings. Que bom que a maioria teve essa mesma idéia e quando chegamos lá já estava bem difícil de se infiltrar naquele mundo de gente. Pelo menos lá no meio estava quentinho, amenizando um pouco o desconforto proveniente daquele frio absurdo! Era impressionante mesmo. Já viram uma marcha de pingüins? Era exatamente isso que aquele amontoado de pessoas tremulando parecia! = )

Teve ainda o show da Joss Stone, que foi fantástica no quesito carisma e também tocou um som agradável, gostoso de ouvir. E depois veio a Dave Matthews Band, que contou com o apoio de uma ótima sonoridade, porque até eu que estava do outro lado do outro palco consegui escutar a brilhante apresentação e combinação perfeita dos mais fiversos instrumentos. Palmas, palmas, palmas!

Enquanto a multidão esperava ansiosamente pelo Kings of Leon e observava a estrutura própria, cheia de holofotes móveis, montada no Palco, ainda me aparece um indivíduo que vem-nos dizer que ‘Estamos em guerra! Em breve todos vocês que estão aqui hoje estarão em uma fila indiana atrás de um copo de água!’ Ok, ok, o Festival é de Sustentabilidade, nada contra as vinhetas do Jornal Nacional com desastres ambientais etc, mas peraí! O teor do discurso do cara foi inoportuno, agressivo demais e não combinava com o clima em que todos estavam no momento ali. Por isso, não demorou a ecoar o ‘Ei SWU, vai tomar no c*’.

Enfim....e que venha o Kings.

O show começou com ‘Crawl’ e depois a ótima ’ Molly’s Chambers’. Após umas 5 músicas já se via o desânimo da plateia. Aí que está! Muitos estavam ali esperando 1 música! Não preciso nem dizer qual é. E a banda não foi lá muito carismática também (e não que precise ser). Só sei que eu só tinha uma coisa, uma relevante coisa a perguntar: Por que diabos o som estava tão baixo???????? Meu Deus, não é tão difícil assim! Sei que há milhões de coisas com que se preocupar, como os tantos holofotes enferrujados com as luzes amarelas queimadas, criando um ambiente vintage. Mas de que adianta tudo isso se o som está baixo???? E o tipo de música do Kings ainda exige esse alto volume para não perder a qualidade. Da forma que estava, tudo parecia um chiado só. Poxa...a MÚSICA, por favor, é o mais importante!

Voltando...só sei que não havia um público devoto. Ou melhor, a devoção só se criou na hora de Use Somebody. E olha lá, em um coro contido.

As minhas partes preferidas foram ‘The Bucket’, ‘Sex On Fire’ , ‘Be Somebody’ e ‘Slow Night so Long’. Faltou , e faltou mesmo , ‘King of the Rodeo’.

E quando o show terminou a massa foi anormalmente embora sem reclamar.

No caminho de volta ao estacionamento (Catracas, Compostela etc) o frio era cortante. Sentia meu lábio rachar inteiro e tive de cobrir as orelhas para conter o vento gelado.

E chegando no carro: Ufa! Iríamos, cansados porém majoritariamente satisfeitos, para casa. Que nada! Pasmem: Mais 2h30 na fila de carros até a rodovia. Tava tudo muito organizado e dando certo para ser verdade! Paciência, paciência...

E uma avaliação final: Sim, mesmo com algumas críticas, valeu muito a pena. Fazer parte de um evento desses é uma experiência realmente incrível. Só de estar lá, na presença daqueles que cantam o que você repete e repete nos fones de ouvido, canções que te acompanharam por diversos momentos, que potencializaram, mudaram, influenciaram suas emoções...Sentir aquilo tudo vibrando bem abaixo dos seus pés: é música, é arte, é vida.

E que tenham ainda muitos e muitos SWU’s pela frente. E quem sabe no futuro, no septuagésimo SWU, poderemos olhar pra trás e dizer: ‘Sabe o Primeiro??? Pois é! Eu estava lá!’

6 de setembro de 2010

Passatempos

Brincando um pouco com as sensações...
Lugares.

  • Centro de São Paulo


  • Rooftop do Four Seasons, Mumbai
  • Havana, Cuba
  • Marina Bay Sands Sky Park , Cingapura

  • Grécia


  • Café em Paris


Imagens. Cada lugar desse merece o desejo de uma visita, mesmo que alguns pareçam inalcançáveis.
Mas além deles, passamos diariamente por paisagens que, se dessemos a devida atenção, acharíamos tão ou mais belas e significativas.

Repare, pare por alguns minutinhos, contemple silenciosamente e fotografe com os próprios olhos.

Até a próxima! ; )

26 de agosto de 2010

Attention, please!



`Atenção é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles`



Desde crianças choramos e esperneamos para conseguir um pouquinho de atenção.
A vontade de atrair essa atenção para si mesmo provém de um sentimento de vitalidade, ou seja, ao destacar-se o homem sente-se mais vivo, mais presente, mais histórico.

Daí pinta-se o cabelo com tinta pink, troca-se o cadarço branco por um verde limão, buscam-se objetivos, paga-se à mídia, aumenta-se o tom de voz. Atividades bem distintas com uma questão em comum: todas representam a vontade de ser o foco e, assim, sentir-se bem consigo mesmo.

Pagamos psicólogos para escutar minuciosamente nossos problemas, paranóias e reflexões por rigorosos 40 minutinhos, sem dispersões. Pagamos para ser o centro de atenções por ao menos um momento, tentando fazer com que alguém dedique seu tempo e esforço à análise e relação de relatos.

E mais: que homem ou mulher não gosta de saber que está sendo observado por uma pessoa de agrado quando realiza um grande feito, uma exibição, uma peculiaridade. Quando canta, quando conta uma piada e faz todos rirem?

E por que parece tão onírico e desejável para muitos aparecer na televisão e ser visto por um país inteiro?

Todos querem ser centrum, ter toda a luz voltada a si mesmo em algum momento. Conforme definição, para que haja uma atenção completa, é necessária a presença de dois fatores: o fisiológico e o motivacional. Sobre o segundo, para que focalizemos nossa atenção, precisamos de alguma motivação, ou seja, nosso grau de concentração depende da maneira que o estímulo é transmitido e o interesse que ele desperta no interlocutor. E aí está o problema: queremos a atenção para nós mesmos e não sabemos direcioná-la equilibradamente ao outro.

Perguntamos todos os dias no mínimo uns 15 'tudo bem?' sem ter o menor interesse em saber se tudo está, de fato, bem.

Escutamos nossos avós contando o que eles faziam quando tinham nossa idade, nossas mães desenvolvendo como foram seus dias e suas preocupações com algumas supostas banalidades. Escutamos nossos pais exaltando orgulhosamente um negócio que acabam de fechar.
Ouvimos, ouvimos...mas sem auscultar . Quando percebemos estamos exprimindo aquele famoso: 'Ahn...' de telefone e pensando na roupa que vestiremos mais tarde, nos afazeres de amanhã, na morte da bezerra.

E nos esquecemos que a principal parte da comunicação é saber prestar essa atenção. Interessar-se pelo o que o outro diz e não somente atentar às próprias opiniões, experiências e ficar ansiosamente esperando a sua vez de falar.

Não sei....talvez isso tudo seja explicado por teorias de características intrínsecas ao ser humano, sendo aqui a preocupação excessiva com o ego.

Que tal rebelar-se contra essas determinações? Nadar contra a corrente, ir na direção contrária, mudar o circuito, enfim, qualquer ditado popular serve.
Sair do conformismo, não aceitar essas imposições se houver discórdia...

Fica aí a sugestão...

E já chega de viajar por hoje, queridos!

Um pouco de atenção para si mesmo é legal, divertido e necessário. Mas fazer com que o outro sinta-se importante e auscultado é tão ou mais prazeroso ainda.

Até a próxima! And...

Soldier On!




16 de agosto de 2010

A força de uma ideia / Que realidade?


Pra quem ainda não assistiu A Origem (Inception) : Assista logo! Não perca a oportunidade de vê-lo no cinema. Depois volte ao Pluralina, continue a ler esse texto e compartilhe sua opinião.
Se você já teve esse prazer...pode continuar!

Não vou ficar contando aqui a mera sinopse do filme de Nolan, porque isso vocês acham em qualquer site de cinema, vendo o trailer - ou não, porque os trailers de hoje mais confundem do que esclarescem algo sobre os enredos em si. Mas enfim. Vou ser bem parcial dessa vez.

O filme é imperdível e traz algo de criatividade ao cinema atual. Ok, à princípio, uma reflexão sobre sonho e realidade parece um clichê. No entanto, a maneira como a discussão é desenvolvida acaba surpreendendo e trazendo à tona outras faces da moeda.

Os efeitos especiais não são tão exagerados e recorrentes chegando a cansar, mas também impressionam em alguns trechos, como por exemplo na luta sem gravidade e o mecanismo do elevador usado para driblar esse impasse, na hora de receber o denominado 'chute'.

Outro aspecto muito interessante também é a trilha sonora, contundente e alinhada, atuando não em papel coadjuvante ou complementar, mas sim, com uma função central e determinante.

Não gostei muito, apenas, da atuação da Ellen Page, apesar de admirar o último trabalho da atriz, que, possivelmente, rotulou sua carreira. Achei que o personagem não foi criado para ela em si, resultando numa certa incompatibilidade.

Agora o que mais impressiona, sem dúvidas, é o final, que, ao invés de apenas um desfecho, dá início a uma brilhante reflexão. A primeira pergunta que todos provavelmente fazem a si mesmos é: teria Cobb (DiCaprio) realmente voltado a seus filhos ou teria ele permanecido em alguma dimensão do sonho? Eu, particularmente, fico com a segunda opção, pois a última imagem do filme é clara: o peão não pára de girar, girar e girar, um claro indicativo de que tudo não se passava de um sonho, com projeções e lembranças. E não vejo isso como algo ruim. Cobb conseguiu, de qualquer forma, aquilo que mais desejava: voltar a ver o rosto de seus filhos. E isso pode ter sido possível depois de ele enfrentar a culpa de ter implantado uma ideia suicida na cabeça de sua mulher: 'Isso não é real'. Uma simples ideia, com consequências que ultrapassaram as barreiras entre o estado onírico e a realidade.

É instigante pensar também no que nossa mente faz enquanto dormimos...

Aliás, quando será que estamos, de fato, acordados?

Recomendo o filme. É para ser visto 1, 2, 3 vezes, descobrindo cada vez algo a mais.


15 de agosto de 2010

How we used to wait for letters to arrive


Mais música!

Vamos falar um pouco sobre o novo Cd do The Arcade Fire, uma banda canadense de indie rock. Os trabalhos anteriores do grupo já eram ótimos, mas The Suburbs é lançado para mostrar uma significativa evolução e criatividade.
Praticamente todas as canções falam sobre a vida moderna, do homem de hoje, da correria e tudo mais. Tudo com um ar melancólico, nostálgico, exaltando o antigo estilo de vida.
A primeira faixa do álbum, The Suburbs, que dá nome ao Cd, levanta algumas questões interessantes, contando ainda com uma batida contagiante.

'I'm moving past the feeling'.

Na hora em que para-se para refletir, o tempo já passou, o estrago já está feito. É como se a correria do mundo não cedesse espaço para aproveitar os sentimentos e emoções.

Modern Man, a terceira faixa, também possui um trecho que ressalta o propósito do disco:

'Oh I had a dream I was dreaming
And I feel I'm losing the feeling
Makes me feel like
Like something don't feel right
I erase the number of the modern man
Want to break the mirror of the modern man
Makes me feel like'

Ready to Start, City with no Children e Wasted Hours também são muito agradáveis de ouvir, possuindo as características típicas da banda: a mistura de diversos instrumentos, desde guitarra, baixo e violão até piano, violinos, teclado, harpa.

Mas a minha preferida é, sem dúvidas, We Used To Wait. É instigante como o modo de vida atual fez com que perdessemos a capacidade de esperar. Da forma como as pessoas costumavam esperar por cartas a chegar, costumavam a esperar por aquilo que nem sabiam o que era, só deixando, despreocupadamente, o tempo passar: we used to waste hours just walking around.
Temos a necessidade de aproveitar o tempo ao máximo, tentando controlá-lo, impondo tarefas a todo segundo. Para exemplificar, é só ler o último post aqui do Pluralina (Ócio, ócio, ócio). Temos a impressão de estar perdendo tempo quando estamos parados, só refletindo, esperando por uma ideia a criar-se. A espera tornou-se completamente angustiante e insuportável. Seria melhor o prazer da espera no passado ou a possibilidade da instantâneidade de hoje?

O refrão é responsável por fazer o paralelo com a atualidade :

Now our lives are changing fast
Now our lives are changing fast
Hope that something pure can last
Hope that something pure can last

E é essa a mensagem que fica do álbum.

Para quem gosta de Radiohead, é uma ótima indicação, pois o estilo (tanto da melodia quanto letra) lembra um pouco a banda inglesa - mas só lembra.

É isso aí! Escutem! O máximo que pode acontecer é vocês não gostarem, o que seria um ótimo ingrediente para a discussão.

Até breve!


5 de agosto de 2010

Ócio, ócio e ócio.

Para muitos acaba o período de férias agora.

Quando estamos todos atarefadíssimos, surgem tantas ideias, tantas vontades, filmes que queremos ver, lugares que queremos visitar, amigos que queremos reencontrar! Mas há sempre a desculpa de 'estar sem tempo'. E é exatamente isso, ou seja, a suposta impossibilidade de praticar esses atos, que os tornam tão desejáveis.

Quanto entramos de férias e percebemos que temos horas e horas disponíveis, parece que nos perdemos. Ficamos enraizados em sofás e cadeiras, diante de telas e janelas e os dias passam e passam com poucos sendo memoráveis. Fazendo um absoluto nada.

E aí o período de correria retorna. E sentimos, primeiramente, saudades daquele absoluto nada. Depois, começamos a imaginar planos novamente.

Da próxima vez, já estarei melhor preparada. Separei um caderninho para anotar todos esses planos. E, nas próximas férias ou talvez antes mesmo delas, ir cumprindo um a um, sem postergações. Talvez, quando o tempo finalmente chegar, a tentação de permanecer no ócio torne-se muito maior. Mas a força para mover-se dessa inércia, a longo prazo, vai compensar, tenho certeza.

O ócio é bom, necessário e muito proveitoso, moderadamente. O problema é que ele vicia.

1 de agosto de 2010

É hora de despertar!



'Até bem pouco tempo atrás ,
poderíamos mudar o mundo.
Quem roubou nossa coragem?'
Legião Urbana




Eleições chegando...Já que quase não se escuta nada sobre isso (magina),vamos falar um pouco sobre o assunto, certo?

Recentes dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgaram que 1 em cada 5 eleitores brasileiros é analfabeto. Nada menos do que 20% dos eleitores. E tem ainda a parcela dos que concluiram apenas o Ensino Fundamental ou apenas o Ensino Médio e a ínfima quantidade daqueles que cursaram ou estão concluindo o Ensino Superior.
E, afinal, o que isso significa?
Simples. Que essa é a explicação para a escolha de candidatos despreparados, descomprometidos, ineficientes e oportunistas. O voto de um estudante universitário é muito mais consciente do que o de um comerciante nordestino analfabeto.
Será? Será mesmo?
Seguindo essa linha de raciocínio, como a taxa de analfabetismo decai anualmente, poderia-se concluir então que os políticos eleitos hoje são muito melhores do que os de 15 anos atrás.
Poderia-se dizer também que estados com maiores taxas de escolaridade teriam congressistas melhores. Os políticos de São Paulo seriam, logo, melhores dos que os de Pernambuco, por exemplo.
Será?
Pois é...é preciso pensar até que ponto o grau de instrução interfere na escolha consciente de candidatos. Diz-se , usualmente, que eleitores com menor escolaridade seriam mais suscetíveis à apelos emocionais, convencendo-se facilmente por discursos a la Odorico Paraguaçu, o consagrado Bem Amado. Submeteriam também seu voto a troca de favores e benefícios isolados. Escuta-se frequentemente que esses eleitores não possuem o discernimento necessário ao exercício do voto, não sabem analisar as propostas corretamente, não possuem conhecimento e nem informação suficiente para decidir o que seria melhor para o país. E os locutores de conceitos como esses certamente consideram a si próprios pessoas que sabem votar da maneira correta, claro.
Complicado.
Aliás, o que seria votar corretamente? Conscientemente?
Talvez escolher um cadidato pensando em como ele beneficiaria o país como um todo, fazendo-o crescer de maneira homogênea e privilegiando primeiramente os que mais precisam. Até aí acho que poucos discordariam. A questão está em como reconhecer esse candidato, como saber que atrás das promessas aparentemente milagrosas, dos discursos impecáveis e do carisma contagiante não se esconde uma outra faceta.

Difícil é afirmar que os eleitores mais bem instruídos possuem um voto de maior valor. E que esses eleitores não são afetados por uma cegueira proveniente da realidade em que vivem e da mídia que consomem. E que eles estão completamente comprometidos, preocupados com o futuro do país e de seus habitantes. E que eles conseguem enxergar os candidatos desprovidos de suas máscaras, podendo assim, ter certeza de como eles realmente agirão depois de eleitos.
De novo, complicado.

Mas, por hoje basta. O texto acima aponta apenas alguns pontos que devem ser um pouco melhor refletidos. Não declaro a discussão encerrada.
Sugiro, no entanto, que no mínimo todos procurem estar atentos à campanha e a todo tipo de informação nesse período pré-eleitoral, que esforçem-se para conhecer os candidatos, suas biografias, propostas, ideologias. E que cada um tome a decisão que achar certa, sendo igual ou diferente da minha, daquele ou do outro. Um candidato em que VOCÊ realmente acredita. Se não houver, vote nulo. Se 50% dos eleitores mais 1 votarem nulo, são convocadas novas eleições com candidatos obrigatoriamente diferentes dos anteriores.

Para ajudar:

05 ago. = Debate dos candidatos à Presidência na Band às 21:45. (Quem não torce nem pro São Paulo nem pro Inter, não pode perder esse primeiro debate)
17 ago. = Começa a Propaganda Eleitoral na Televisão
18 ago. = Debate Uol/Folha dos candidatos à Presidência
12 set. = Debate Rede TV/Folha dos candidatos à Presidência
30 set.= Debate na Globo dos candidatos à Presidência

Alguns sites:

www.presidente40.folha.blog.uol.br --> (Blogue da Folha que divulga textos sobre as eleições diariamente. Interessante.
www.joseserra.com.br --> Site sobre o candidato à Presidência José Serra.
www.dilma13.com.br --> Site sobre a candidata à Presidência Dilma Roussef.
www.minhamarina.org.br --> Site sobre a candidata à Presidência Marina Silva.

Lembrando que todos esses sites são elaborados pelas assessorias dos próprios candidatos. Aqui estão relacionados apenas os sites dos principais à Presidência. Mas não esqueçam-se dos outros presidenciáveis: Ivan Pinheiro, Levy Fidelix, Zé Maria, Eymael, Plínio de Arruda Sampaio e Rui Costa Pimenta.
Há também, nesse ano de 2010, eleições para Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Importantíssimas e tratadas muitas vezes com grande descaso. Novamente, mais pesquisa, queridos.

http://eleicoes2010.jus.br/ --> Site do Tribunal Superior Eleitoral com informações muito úteis aos eleitores como esclarescimentos, pesquisas sobre os candidatos de todos os estados, sobre como votar em diferentes contextos, vídeos e muito mais.

É isso aí, queridos. Até a próxima. Arrivederci!










19 de julho de 2010

Enquadrado

Esquadros. Música fantástica escrita e cantada originalmente por Adriana Calcanhoto, que também participa de inúmeras outras versões, como por exemplo a da banda carioca Los Hermanos, da Legião Urbana e depois de Paulinho Moska. A originalidade presente em todas, torna difícil escolher a melhor. Que tal pensar então um pouco a respeito do texto em si?

Começando pelo próprio título da canção, o esquadro é um instrumento que permite a construção de um mesmo objeto através de diferentes ângulos. Uma visão através de distintas perspectivas.

Com alguém andando pelo mundo, inicia-se a letra. E esse ser não somente anda, como também presta atenção nas cores que estão a sua volta. Não se importa com as denominações exatas, o relevante é o ato de observar, perceber aquilo que o cerca rotineiramente. A correria cotidiana dos automóveis, correndo sabe lá para quê, faz com que muitas vezes todas as cores, cenas e pessoas ao redor sejam simplesmente indiferentes.

E aí vem a melodia...E aconselha 'filtrar seus graus'.

Seja na hora de olhar através da janela do carro, da janela do quarto, da tela do televisor. Quadrados que fornecem paisagens, prontas para serem admiradas. Tudo com uma grandeza tamanha, tornando a vontade de controlar a imensidão uma tentação.

Chegando ao final da letra, desaparecem os amigos. A alegria. O cansaço. A percepção da realidade trás a carência e também o medo no pacote. E o grito pela procura do amor 'Meu amor, cadê você', acompanhado de uma mudança de tonalidade que faz com que o ouvinte fique completamente imerso nos sons, demonstra a necessidade de um companheiro para enfrentar tudo que esta aí ,enquadrado, fora da confortável e aconchegante cama.

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Segue abaixo, a música Esquadros cantada por Adriana e Moska. Degustem, como nos velhos tempos, quando grupos de amigos reuniam-se com o único objetivo de apreciar canções. Hoje, a facilidade de possuí-las e repetí-las é tão grande, que é difícil andar pelo mundo prestando atenção. Mas essa discussão fica para uma próxima. Aí vai:




15 de julho de 2010

Senhores e Senhoras,
Sejam muito bem vindos ao Pluralina.

O Pluralina é a construção de um espaço que permita a profusão de ideias, críticas, sugestões, tudo de uma maneira descontraída, simples e descompromissada. Uma forma de prestar mais atenção nos fatos, tentar entender melhor alguns acontecimentos e valorizar diferentes perspectivas.
Será repleto de textos sobre os mais variados assuntos: música (claro!), cinema, política, tudo que der vontade de expressar uma voz, uma opinião. Essa, não será imutável. Será passível sempre de discórdia, discussão e reafirmação ou aprimoramento.

Mudar é preciso, queridos.

Com certeza aparecerão por aí alguns erros de gramática, desvios da língua padrão, textos talvez muito amadores ou às vezes completamente viajados....Mas vamos lá!
Tentando, tentando, tentando.
Sem medo de errar, sem parar de PENSAR.

E que a brincadeira comece!