26 de agosto de 2010

Attention, please!



`Atenção é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles`



Desde crianças choramos e esperneamos para conseguir um pouquinho de atenção.
A vontade de atrair essa atenção para si mesmo provém de um sentimento de vitalidade, ou seja, ao destacar-se o homem sente-se mais vivo, mais presente, mais histórico.

Daí pinta-se o cabelo com tinta pink, troca-se o cadarço branco por um verde limão, buscam-se objetivos, paga-se à mídia, aumenta-se o tom de voz. Atividades bem distintas com uma questão em comum: todas representam a vontade de ser o foco e, assim, sentir-se bem consigo mesmo.

Pagamos psicólogos para escutar minuciosamente nossos problemas, paranóias e reflexões por rigorosos 40 minutinhos, sem dispersões. Pagamos para ser o centro de atenções por ao menos um momento, tentando fazer com que alguém dedique seu tempo e esforço à análise e relação de relatos.

E mais: que homem ou mulher não gosta de saber que está sendo observado por uma pessoa de agrado quando realiza um grande feito, uma exibição, uma peculiaridade. Quando canta, quando conta uma piada e faz todos rirem?

E por que parece tão onírico e desejável para muitos aparecer na televisão e ser visto por um país inteiro?

Todos querem ser centrum, ter toda a luz voltada a si mesmo em algum momento. Conforme definição, para que haja uma atenção completa, é necessária a presença de dois fatores: o fisiológico e o motivacional. Sobre o segundo, para que focalizemos nossa atenção, precisamos de alguma motivação, ou seja, nosso grau de concentração depende da maneira que o estímulo é transmitido e o interesse que ele desperta no interlocutor. E aí está o problema: queremos a atenção para nós mesmos e não sabemos direcioná-la equilibradamente ao outro.

Perguntamos todos os dias no mínimo uns 15 'tudo bem?' sem ter o menor interesse em saber se tudo está, de fato, bem.

Escutamos nossos avós contando o que eles faziam quando tinham nossa idade, nossas mães desenvolvendo como foram seus dias e suas preocupações com algumas supostas banalidades. Escutamos nossos pais exaltando orgulhosamente um negócio que acabam de fechar.
Ouvimos, ouvimos...mas sem auscultar . Quando percebemos estamos exprimindo aquele famoso: 'Ahn...' de telefone e pensando na roupa que vestiremos mais tarde, nos afazeres de amanhã, na morte da bezerra.

E nos esquecemos que a principal parte da comunicação é saber prestar essa atenção. Interessar-se pelo o que o outro diz e não somente atentar às próprias opiniões, experiências e ficar ansiosamente esperando a sua vez de falar.

Não sei....talvez isso tudo seja explicado por teorias de características intrínsecas ao ser humano, sendo aqui a preocupação excessiva com o ego.

Que tal rebelar-se contra essas determinações? Nadar contra a corrente, ir na direção contrária, mudar o circuito, enfim, qualquer ditado popular serve.
Sair do conformismo, não aceitar essas imposições se houver discórdia...

Fica aí a sugestão...

E já chega de viajar por hoje, queridos!

Um pouco de atenção para si mesmo é legal, divertido e necessário. Mas fazer com que o outro sinta-se importante e auscultado é tão ou mais prazeroso ainda.

Até a próxima! And...

Soldier On!




2 comentários:

  1. Pier, acho que você deveria sim, continuar feliz assim! = ) Está certíssimo....
    Agora, sobre ser chato ser o centro, aí, de fato, acho que entra uma polêmica também. Às vezes, sem ao menos notar, fazemos algumas coisas que expressam a vontade que temos de ser, pelo menos em algum momento, o centro de atenções. Quando lemos um texto, na frente de um auditório, nos sentimos desconfortáveis quando vemos uma plateia dispersa, desinteressada, certo? Quando conversamos com alguém e vemos que essa pessoa não está nem aí para aquilo que falamos, ficamos também descontentes, não?
    É isso que chamo de 'ser o centro'. Não precisa ser nada grandioso...é apenas exigir um pouco de atenção em algum momento. E não concordo que isso seja chato. Só acho que essa atenção não deva ser exigida a TODO momento. Tem de haver reciprocidade, equilíbrio...
    É isso!
    Sempre ótimo compartilhar discussões com vc, querido! Beijos!

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  2. Julie, minha querida! É bom ver um comentário teu. É, me considero feliz, junto a pessoas como você é impossível não sê-lo! *-*
    Concordo com você: o fato de querermos o centro das atenções, muitas vezes, é algo que pode-se definir como involuntário, algo que pertence àquilo que Giacomo Leopardi define muito bem em seu poema "L'infinito" (a psicologia chama isso de "super-ego"). Coloquei o poema no final do meu comentário.
    Enfim, o descontentamento é devido, sobretudo, ao nosso inconsciente que se deixa levar pela situação, e acabamos entristecidos. Todos nós preciosamos de atenção, sobretudo quando agimos sem que o objetivo seja a atenção!
    Amo discutir com você. Você é uma pessoa muito madura, e as conversas contigo são das mais gostosas de se ter! Parabéns, de verdade!!
    Muitos beijos, minha querida!


    Giacomo Leopardi - L'infinito (1819)

    "Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
    E questa siepe, che da tanta parte
    De l'ultimo orizzonte il guardo esclude.
    Ma sedendo e mirando, interminati
    Spazi di là da quella, e sovrumani
    Silenzi, e profondissima quïete
    Io nel pensier mi fingo, ove per poco
    Il cor non si spaura. E come il vento
    Odo stormir tra queste piante, io quello
    Infinito silenzio a questa voce
    Vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
    E le morte stagioni, e la presente
    E viva, e 'l suon di lei. Così tra questa
    Immensità s'annega il pensier mio:
    E 'l naufragar m'è dolce in questo mare."

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