29 de agosto de 2010
26 de agosto de 2010
Attention, please!

`Atenção é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles`
Desde crianças choramos e esperneamos para conseguir um pouquinho de atenção.
A vontade de atrair essa atenção para si mesmo provém de um sentimento de vitalidade, ou seja, ao destacar-se o homem sente-se mais vivo, mais presente, mais histórico.
Daí pinta-se o cabelo com tinta pink, troca-se o cadarço branco por um verde limão, buscam-se objetivos, paga-se à mídia, aumenta-se o tom de voz. Atividades bem distintas com uma questão em comum: todas representam a vontade de ser o foco e, assim, sentir-se bem consigo mesmo.
Pagamos psicólogos para escutar minuciosamente nossos problemas, paranóias e reflexões por rigorosos 40 minutinhos, sem dispersões. Pagamos para ser o centro de atenções por ao menos um momento, tentando fazer com que alguém dedique seu tempo e esforço à análise e relação de relatos.
E mais: que homem ou mulher não gosta de saber que está sendo observado por uma pessoa de agrado quando realiza um grande feito, uma exibição, uma peculiaridade. Quando canta, quando conta uma piada e faz todos rirem?
E por que parece tão onírico e desejável para muitos aparecer na televisão e ser visto por um país inteiro?
Todos querem ser centrum, ter toda a luz voltada a si mesmo em algum momento. Conforme definição, para que haja uma atenção completa, é necessária a presença de dois fatores: o fisiológico e o motivacional. Sobre o segundo, para que focalizemos nossa atenção, precisamos de alguma motivação, ou seja, nosso grau de concentração depende da maneira que o estímulo é transmitido e o interesse que ele desperta no interlocutor. E aí está o problema: queremos a atenção para nós mesmos e não sabemos direcioná-la equilibradamente ao outro.
Perguntamos todos os dias no mínimo uns 15 'tudo bem?' sem ter o menor interesse em saber se tudo está, de fato, bem.
Escutamos nossos avós contando o que eles faziam quando tinham nossa idade, nossas mães desenvolvendo como foram seus dias e suas preocupações com algumas supostas banalidades. Escutamos nossos pais exaltando orgulhosamente um negócio que acabam de fechar.
Ouvimos, ouvimos...mas sem auscultar . Quando percebemos estamos exprimindo aquele famoso: 'Ahn...' de telefone e pensando na roupa que vestiremos mais tarde, nos afazeres de amanhã, na morte da bezerra.
E nos esquecemos que a principal parte da comunicação é saber prestar essa atenção. Interessar-se pelo o que o outro diz e não somente atentar às próprias opiniões, experiências e ficar ansiosamente esperando a sua vez de falar.
Não sei....talvez isso tudo seja explicado por teorias de características intrínsecas ao ser humano, sendo aqui a preocupação excessiva com o ego.
Que tal rebelar-se contra essas determinações? Nadar contra a corrente, ir na direção contrária, mudar o circuito, enfim, qualquer ditado popular serve.
Sair do conformismo, não aceitar essas imposições se houver discórdia...
Fica aí a sugestão...
E já chega de viajar por hoje, queridos!
Um pouco de atenção para si mesmo é legal, divertido e necessário. Mas fazer com que o outro sinta-se importante e auscultado é tão ou mais prazeroso ainda.
Até a próxima! And...
Soldier On!
16 de agosto de 2010
A força de uma ideia / Que realidade?

Pra quem ainda não assistiu A Origem (Inception) : Assista logo! Não perca a oportunidade de vê-lo no cinema. Depois volte ao Pluralina, continue a ler esse texto e compartilhe sua opinião.
Se você já teve esse prazer...pode continuar!
Não vou ficar contando aqui a mera sinopse do filme de Nolan, porque isso vocês acham em qualquer site de cinema, vendo o trailer - ou não, porque os trailers de hoje mais confundem do que esclarescem algo sobre os enredos em si. Mas enfim. Vou ser bem parcial dessa vez.
O filme é imperdível e traz algo de criatividade ao cinema atual. Ok, à princípio, uma reflexão sobre sonho e realidade parece um clichê. No entanto, a maneira como a discussão é desenvolvida acaba surpreendendo e trazendo à tona outras faces da moeda.
Os efeitos especiais não são tão exagerados e recorrentes chegando a cansar, mas também impressionam em alguns trechos, como por exemplo na luta sem gravidade e o mecanismo do elevador usado para driblar esse impasse, na hora de receber o denominado 'chute'.
Outro aspecto muito interessante também é a trilha sonora, contundente e alinhada, atuando não em papel coadjuvante ou complementar, mas sim, com uma função central e determinante.
Não gostei muito, apenas, da atuação da Ellen Page, apesar de admirar o último trabalho da atriz, que, possivelmente, rotulou sua carreira. Achei que o personagem não foi criado para ela em si, resultando numa certa incompatibilidade.
Agora o que mais impressiona, sem dúvidas, é o final, que, ao invés de apenas um desfecho, dá início a uma brilhante reflexão. A primeira pergunta que todos provavelmente fazem a si mesmos é: teria Cobb (DiCaprio) realmente voltado a seus filhos ou teria ele permanecido em alguma dimensão do sonho? Eu, particularmente, fico com a segunda opção, pois a última imagem do filme é clara: o peão não pára de girar, girar e girar, um claro indicativo de que tudo não se passava de um sonho, com projeções e lembranças. E não vejo isso como algo ruim. Cobb conseguiu, de qualquer forma, aquilo que mais desejava: voltar a ver o rosto de seus filhos. E isso pode ter sido possível depois de ele enfrentar a culpa de ter implantado uma ideia suicida na cabeça de sua mulher: 'Isso não é real'. Uma simples ideia, com consequências que ultrapassaram as barreiras entre o estado onírico e a realidade.
É instigante pensar também no que nossa mente faz enquanto dormimos...
Aliás, quando será que estamos, de fato, acordados?
Recomendo o filme. É para ser visto 1, 2, 3 vezes, descobrindo cada vez algo a mais.
15 de agosto de 2010
How we used to wait for letters to arrive

Mais música!
Vamos falar um pouco sobre o novo Cd do The Arcade Fire, uma banda canadense de indie rock. Os trabalhos anteriores do grupo já eram ótimos, mas The Suburbs é lançado para mostrar uma significativa evolução e criatividade.
Praticamente todas as canções falam sobre a vida moderna, do homem de hoje, da correria e tudo mais. Tudo com um ar melancólico, nostálgico, exaltando o antigo estilo de vida.
A primeira faixa do álbum, The Suburbs, que dá nome ao Cd, levanta algumas questões interessantes, contando ainda com uma batida contagiante.
'I'm moving past the feeling'.
Na hora em que para-se para refletir, o tempo já passou, o estrago já está feito. É como se a correria do mundo não cedesse espaço para aproveitar os sentimentos e emoções.
Modern Man, a terceira faixa, também possui um trecho que ressalta o propósito do disco:
'Oh I had a dream I was dreaming
And I feel I'm losing the feeling
Makes me feel like
Like something don't feel right
I erase the number of the modern man
Want to break the mirror of the modern man
Makes me feel like'
Ready to Start, City with no Children e Wasted Hours também são muito agradáveis de ouvir, possuindo as características típicas da banda: a mistura de diversos instrumentos, desde guitarra, baixo e violão até piano, violinos, teclado, harpa.
Mas a minha preferida é, sem dúvidas, We Used To Wait. É instigante como o modo de vida atual fez com que perdessemos a capacidade de esperar. Da forma como as pessoas costumavam esperar por cartas a chegar, costumavam a esperar por aquilo que nem sabiam o que era, só deixando, despreocupadamente, o tempo passar: we used to waste hours just walking around.
Temos a necessidade de aproveitar o tempo ao máximo, tentando controlá-lo, impondo tarefas a todo segundo. Para exemplificar, é só ler o último post aqui do Pluralina (Ócio, ócio, ócio). Temos a impressão de estar perdendo tempo quando estamos parados, só refletindo, esperando por uma ideia a criar-se. A espera tornou-se completamente angustiante e insuportável. Seria melhor o prazer da espera no passado ou a possibilidade da instantâneidade de hoje?
O refrão é responsável por fazer o paralelo com a atualidade :
Now our lives are changing fast
Now our lives are changing fast
Hope that something pure can last
Hope that something pure can last
E é essa a mensagem que fica do álbum.
Para quem gosta de Radiohead, é uma ótima indicação, pois o estilo (tanto da melodia quanto letra) lembra um pouco a banda inglesa - mas só lembra.
É isso aí! Escutem! O máximo que pode acontecer é vocês não gostarem, o que seria um ótimo ingrediente para a discussão.
Até breve!
5 de agosto de 2010
Ócio, ócio e ócio.
Para muitos acaba o período de férias agora.
Quando estamos todos atarefadíssimos, surgem tantas ideias, tantas vontades, filmes que queremos ver, lugares que queremos visitar, amigos que queremos reencontrar! Mas há sempre a desculpa de 'estar sem tempo'. E é exatamente isso, ou seja, a suposta impossibilidade de praticar esses atos, que os tornam tão desejáveis.
Quanto entramos de férias e percebemos que temos horas e horas disponíveis, parece que nos perdemos. Ficamos enraizados em sofás e cadeiras, diante de telas e janelas e os dias passam e passam com poucos sendo memoráveis. Fazendo um absoluto nada.
E aí o período de correria retorna. E sentimos, primeiramente, saudades daquele absoluto nada. Depois, começamos a imaginar planos novamente.
Da próxima vez, já estarei melhor preparada. Separei um caderninho para anotar todos esses planos. E, nas próximas férias ou talvez antes mesmo delas, ir cumprindo um a um, sem postergações. Talvez, quando o tempo finalmente chegar, a tentação de permanecer no ócio torne-se muito maior. Mas a força para mover-se dessa inércia, a longo prazo, vai compensar, tenho certeza.
O ócio é bom, necessário e muito proveitoso, moderadamente. O problema é que ele vicia.
Quando estamos todos atarefadíssimos, surgem tantas ideias, tantas vontades, filmes que queremos ver, lugares que queremos visitar, amigos que queremos reencontrar! Mas há sempre a desculpa de 'estar sem tempo'. E é exatamente isso, ou seja, a suposta impossibilidade de praticar esses atos, que os tornam tão desejáveis.
Quanto entramos de férias e percebemos que temos horas e horas disponíveis, parece que nos perdemos. Ficamos enraizados em sofás e cadeiras, diante de telas e janelas e os dias passam e passam com poucos sendo memoráveis. Fazendo um absoluto nada.
E aí o período de correria retorna. E sentimos, primeiramente, saudades daquele absoluto nada. Depois, começamos a imaginar planos novamente.
Da próxima vez, já estarei melhor preparada. Separei um caderninho para anotar todos esses planos. E, nas próximas férias ou talvez antes mesmo delas, ir cumprindo um a um, sem postergações. Talvez, quando o tempo finalmente chegar, a tentação de permanecer no ócio torne-se muito maior. Mas a força para mover-se dessa inércia, a longo prazo, vai compensar, tenho certeza.
O ócio é bom, necessário e muito proveitoso, moderadamente. O problema é que ele vicia.
1 de agosto de 2010
É hora de despertar!

'Até bem pouco tempo atrás ,
poderíamos mudar o mundo.
Quem roubou nossa coragem?'
Legião Urbana
Eleições chegando...Já que quase não se escuta nada sobre isso (magina),vamos falar um pouco sobre o assunto, certo?
Recentes dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgaram que 1 em cada 5 eleitores brasileiros é analfabeto. Nada menos do que 20% dos eleitores. E tem ainda a parcela dos que concluiram apenas o Ensino Fundamental ou apenas o Ensino Médio e a ínfima quantidade daqueles que cursaram ou estão concluindo o Ensino Superior.
E, afinal, o que isso significa?
Simples. Que essa é a explicação para a escolha de candidatos despreparados, descomprometidos, ineficientes e oportunistas. O voto de um estudante universitário é muito mais consciente do que o de um comerciante nordestino analfabeto.
Será? Será mesmo?
Seguindo essa linha de raciocínio, como a taxa de analfabetismo decai anualmente, poderia-se concluir então que os políticos eleitos hoje são muito melhores do que os de 15 anos atrás.
Poderia-se dizer também que estados com maiores taxas de escolaridade teriam congressistas melhores. Os políticos de São Paulo seriam, logo, melhores dos que os de Pernambuco, por exemplo.
Será?
Pois é...é preciso pensar até que ponto o grau de instrução interfere na escolha consciente de candidatos. Diz-se , usualmente, que eleitores com menor escolaridade seriam mais suscetíveis à apelos emocionais, convencendo-se facilmente por discursos a la Odorico Paraguaçu, o consagrado Bem Amado. Submeteriam também seu voto a troca de favores e benefícios isolados. Escuta-se frequentemente que esses eleitores não possuem o discernimento necessário ao exercício do voto, não sabem analisar as propostas corretamente, não possuem conhecimento e nem informação suficiente para decidir o que seria melhor para o país. E os locutores de conceitos como esses certamente consideram a si próprios pessoas que sabem votar da maneira correta, claro.
Complicado.
Aliás, o que seria votar corretamente? Conscientemente?
Talvez escolher um cadidato pensando em como ele beneficiaria o país como um todo, fazendo-o crescer de maneira homogênea e privilegiando primeiramente os que mais precisam. Até aí acho que poucos discordariam. A questão está em como reconhecer esse candidato, como saber que atrás das promessas aparentemente milagrosas, dos discursos impecáveis e do carisma contagiante não se esconde uma outra faceta.
Difícil é afirmar que os eleitores mais bem instruídos possuem um voto de maior valor. E que esses eleitores não são afetados por uma cegueira proveniente da realidade em que vivem e da mídia que consomem. E que eles estão completamente comprometidos, preocupados com o futuro do país e de seus habitantes. E que eles conseguem enxergar os candidatos desprovidos de suas máscaras, podendo assim, ter certeza de como eles realmente agirão depois de eleitos.
De novo, complicado.
Mas, por hoje basta. O texto acima aponta apenas alguns pontos que devem ser um pouco melhor refletidos. Não declaro a discussão encerrada.
Sugiro, no entanto, que no mínimo todos procurem estar atentos à campanha e a todo tipo de informação nesse período pré-eleitoral, que esforçem-se para conhecer os candidatos, suas biografias, propostas, ideologias. E que cada um tome a decisão que achar certa, sendo igual ou diferente da minha, daquele ou do outro. Um candidato em que VOCÊ realmente acredita. Se não houver, vote nulo. Se 50% dos eleitores mais 1 votarem nulo, são convocadas novas eleições com candidatos obrigatoriamente diferentes dos anteriores.
Para ajudar:
05 ago. = Debate dos candidatos à Presidência na Band às 21:45. (Quem não torce nem pro São Paulo nem pro Inter, não pode perder esse primeiro debate)
17 ago. = Começa a Propaganda Eleitoral na Televisão
18 ago. = Debate Uol/Folha dos candidatos à Presidência
12 set. = Debate Rede TV/Folha dos candidatos à Presidência
30 set.= Debate na Globo dos candidatos à Presidência
Alguns sites:
www.presidente40.folha.blog.uol.br --> (Blogue da Folha que divulga textos sobre as eleições diariamente. Interessante.
www.joseserra.com.br --> Site sobre o candidato à Presidência José Serra.
www.dilma13.com.br --> Site sobre a candidata à Presidência Dilma Roussef.
www.minhamarina.org.br --> Site sobre a candidata à Presidência Marina Silva.
Lembrando que todos esses sites são elaborados pelas assessorias dos próprios candidatos. Aqui estão relacionados apenas os sites dos principais à Presidência. Mas não esqueçam-se dos outros presidenciáveis: Ivan Pinheiro, Levy Fidelix, Zé Maria, Eymael, Plínio de Arruda Sampaio e Rui Costa Pimenta.
Há também, nesse ano de 2010, eleições para Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Importantíssimas e tratadas muitas vezes com grande descaso. Novamente, mais pesquisa, queridos.
http://eleicoes2010.jus.br/ --> Site do Tribunal Superior Eleitoral com informações muito úteis aos eleitores como esclarescimentos, pesquisas sobre os candidatos de todos os estados, sobre como votar em diferentes contextos, vídeos e muito mais.
É isso aí, queridos. Até a próxima. Arrivederci!
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